Prescrições e Descobertas

17.11.2011

Participo hoje no painel sobre cinema do XIII Colóquio de Outono do Centro de Estudos Humanísticos da Universidade do Minho, em Braga. Participam também neste painel, Jinhee Choi (King’s College Londres) com “An Uncomfortable Marriage of Film and Philosophy?” e Murray Smith (Universidade de Kent) com “Transparency and Reflexivity in Film”. Estou grato ao Vítor Moura, director do Departmento de Filosofia e Cultura, pelo convite. Partilho ainda a moderação do painel com ele.

A minha comunicação chama-se “Descobertas e Prescrições: A Especificidade do Meio Cinemático Segundo Berys Gaut”:

Em A Philosophy of Cinematic Art,[1] Berys Baut reavalia a questão da especificidade do meio (medium) na arte, entre outros tópicos. Contra Nöel Carroll, Gaut defende três afirmações a favor de tal especificidade como verdadeiras e por isso aplicáveis ao cinema. Vou concentra-me apenas na última, que ele articula da seguinte forma: para que um meio constitua uma forma de arte deve instanciar propriedades artísticas que são distintas daquelas que são instanciadas por outros meios. Depois do esclarecimento dos termos utilizados (meio, forma de arte, propriedades artísticas, instanciação), que o filósofo apenas parcialmente faz, esta comunicação defende que os argumentos que ele apresenta para que aceitemos a afirmação como verdadeira não são persuasivos. Como alternativa, proponho uma outra via de resgatar a especificidade do cinema que é descritiva em vez de prescritiva e que está aberta a inesperadas descobertas sobre os seus meios.


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[1] Berys Baut, A Philosophy of Cinematic Art (Cambridge: Cambridge University Press, 2010).